APRESENTAÇÃO

“Progredir é realizar a utopia”
Oscar Wilde

O presente livro (nesta terceira edição na modalidade digital) sempre figurou na lista dos meus projectos, essencialmente por duas ordens de razões:

    • o entendimento da missão do professor universitário como agente disponível e facilitador de informação científica com vista ao ensino-aprendizagem para a aquisição de competências, contando com a experiência vivida de colaboradores e de colegas exercendo docência;
    • a necessidade de um livro de texto auxiliar, manifestada quer por estudantes meus alunos e estagiários da Faculdade de Ciências Médicas/Nova Medical School da Universidade Nova de Lisboa/UNL, quer por internos de Pediatria e de Medicina Familiar realizando estágios no Hospital de Dona Estefânia em Lisboa onde sempre trabalhei. E ainda, por colegas.

É, pois, de admitir que tal informação (supostamente de proximidade), servindo de apoio à prática clínica durante os estágios, quer no âmbito da pré-graduação, quer na pós-graduação e desempenho profissional, suscite o confronto com outra informação congénere. Nesta perspectiva, criar-se-á oportunidade de alargar horizontes.

Da abrangência com que, intencionalmente, este livro foi concebido, resultou o título. A obra está dividida em 3 Volumes, desdobrados em grandes tópicos ou Partes, integrando, na sua totalidade, 405 Capítulos.

Houve a intenção de apresentar os tópicos fundamentais da clínica pediátrica, de complexidade e frequência diversos, e de forma simples e de modo prático (clássico). Com a preocupação de os conteúdos serem “amigos do leitor” e por razões didácticas, na sua maioria (e em função das características do tópico a abordar) os capítulos foram estruturados em alíneas tais como, definições, importância do problema, aspectos epidemiológicos, etiopatogénese, manifestações clínicas, diagnóstico, tratamento, prevenção, prognóstico e bibliografia.

Dado que a Medicina não é considerada uma ciência exacta, mas probabilística, a controvérsia subsistirá nalguns pontos e a dúvida poderá pairar sobre outros. Com efeito, com base na literatura consultada pode concluir-se que existem variantes quanto a atitudes e procedimentos. A bibliografia selecionada, que encerra cada capítulo ou parte do livro, contribuirá para que o leitor interessado forme a sua opinião.

A obra é o resultado dum esforço colectivo e dedicado duma plêiade de autores convidados, colegas e amigos de reconhecida competência a quem foi distribuída a grande série de tópicos de acordo com as respectivas áreas de interesse e experiência. Como particularidade, há a referir que alguns autores seniores (com a minha anuência e o meu aplauso), chamaram a si, para colaborar em subalternidade, internos de Pediatria, como forma proactiva de premiar méritos demonstrados e de estimular a investigação e a publicação de textos e de estudos científicos.

Para tornar o texto mais compreensivo, tentando evitar quer repetições, quer omissões, na qualidade de coordenador-editor, esforcei-me por uniformizar o estilo linguístico, interferindo pontualmente, apenas na forma, e não no conteúdo. Sobre o assunto polémico do Novo Acordo Ortográfico com o qual discordo, na sequência de pareceres de filólogos de renome que consultei, não foi adoptado.

Desejo expressar aqui o testemunho do meu enorme reconhecimento a todos os Autores, Colegas e Amigos que aceitaram colaborar probono com grande empenho neste projecto. Bem hajam pelo inestimável e imprescindível contributo, sem o qual não seria possível concretizar a obra.

Este Tratado de Clínica Pediátrica, de características elementares, está aberto à crítica e à apreciação pelos seus leitores.

Por fim, espero vivamente que o mesmo, concebido em espírito de missão, seja útil para os destinatários em prol da saúde e bem-estar das crianças e adolescentes, futuros adultos, e da comunidade em geral.

 

João Manuel Videira de Amaral

DEDICATÓRIA E MEMÓRIA

Dedico este livro a todas as Crianças e Jovens de Portugal, que são o nosso futuro.

Considero incluídos os meus onze netos, em idade pediátrica: Lourenço, Constança, Gonçalo, Francisco, Mafalda, Carlota, Sebastião, João Manuel, Madalena, Carolina e Leonor.

Na minha memória tenho o exemplo do meu Pai (João José de Amaral) que era médico na minha terra natal, o Fundão, e nos deixou prematuramente; com ele muito aprendi, incutindo-me desde a minha entrada na Universidade, a noção da importância das disciplinas básicas e da clínica exercida com rigor e humanismo tendo como base o estudo perseverante e a actualização permanente.

João M. Videira Amaral

É o coordenador-editor desta obra – Tratado de Clínica Pediátrica. Médico-pediatra e professor catedrático jubilado da Nova Medical School, da Universidade Nova de Lisboa, fez toda a sua carreira hospitalar e académica nos antigos Hospitais Civis de Lisboa. Até Outubro de 2007 foi director da Clínica Universitária de Pediatria no Hospital de Dona Estefânia, Lisboa e regente das disciplinas de Pediatria e de Clínica Pediátrica da mesma Universidade. É autor ou co-autor de cerca de 250 artigos em revistas científicas e em livros de texto, sobretudo nas áreas da Pediatria Neonatal / Neonatologia e da Educação Médica, assim como coordenador e editor de um “Tratado de Clínica Pediátrica” cuja 3a edição, contando com uma plêiade de colaboradores, está no prelo. Interessando-se pela História da Medicina, em 2004 publicou uma monografia intitulada “A Neonatologia no Mundo e em Portugal – Factos históricos”. Tendo integrado a Direcção da Sociedade Portuguesa de Pediatria entre 1981 e 1992, sucessivamente como Secretário Geral, Vice-Presidente e Presidente, foi Director da respectiva revista (Acta Pediátrica Portuguesa) entre 2005 e 2014.

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